Notícias da vida diária Crônicas Pensamentos de alguém que observa um espelho a todo instante, tentando reconhecer o que do outro lado há. Será que dá pra atravessar? Notinhas, detalhes, esquecimentos, lembranças, tudo o que vier, lucro, ou não... Diário? Sei não... Vou escrevendo os momentos. Assinado: EU MESMA.
segunda-feira, 23 de março de 2009
terça-feira, 10 de março de 2009
A TINTA
E por trás, várias camadas respiram.
O ar não chega no concreto.
Mas ele não está morto, acredite.
Apenas repousa imóvel.
Fiel a sua natureza.
Suportando o tempo, os pilares.
Esperando o mundo ter certeza.
Escutando o passar do tempo,
ele mata sua sede.
A tinta está descascando,
mas mesmo assim, o concreto será parede.
quarta-feira, 4 de março de 2009
Até a hora de voltar
Não anote aonde o tempo possa apagar.
Eu fiz as pazes com o tempo, pra ele te tratar bem.
Guardar seu caminho logo ali, pra cruzar de novo com o meu.
Jogo pedras pelo caminho, pra marcar a volta.
Não sei se vou voltar, mas você sempre achará as pedras.
Ando olhando pra frente, mas pisando forte pra deixar pegadas.
Não sei se vou precisar delas, mas talvez você as ache.
Se for pro seu bem...
complemento o endereço.
Te mando um pombo correio,
pra pousar no seu coração.
E esculpir na sua alma, uma anotação.
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009
Des- pedida. Pedido.
Que o frio na espinha não seja apenas uma impressão de um momento que vai passar.
Que o que passou não fique apenas na lembrança, mas na esperança de um flash back próximo.
Que a mão que antes, firme segurava, agora acene um até logo e não um adeus.
Que a pessoa amada, seja sempre amada, mesmo que o amor não seja meu.
Que nada acabe, mas se transforme, em coisas que eu poderia guardar.
E que se não guarde, seja porque não quero e nunca porque não cabe.
Que o tudo possa às vezes, ser nada. E que o nada, nunca seja à toa.
Que seja brisa, leve a soprar uma ausência pra longe, uma presença pra dentro.
Que o beijo sempre venha com os olhos fechados
e a respiração seja ofegante, mas sem faltar o ar.
Que o corpo fique junto sem colar
mas se colar, que seja até o amanhecer.
Que o cabelo que se confundia ao meu, deixe o cheiro no travesseiro,
e que ao sair, apague a luz, mas não me deixe no breu.
sexta-feira, 30 de janeiro de 2009
Xeque-mate, cale-se mente.
Mas não seguro apenas o que cabe em minhas mãos.
O que carrego pulsa, se expandindo em todas as direções.
A cada passo acelera a batida.
A cada batida acelero o passo.
Compasso ritmado pelo toque.
Toco tudo, não troco nada.
Não quero troco.
Não espero nada.
Apenas pulso,
movimentando o avulso.
Solta em uma turbulência de pensamentos.
Pensando em uma turbulência de coisas e acasos.
Caso o que me faz bem a vista, o feio descaso.
Não quero descartes, mas tenho cartas a mais.
Não peço truco, meia não me satisfaz.
Insossa insatisfação,
que excita, expulsa, atrai toda ilusão.
Xeque-mate pro pensamento,
uma hora a morte vem.
E no silêncio dos arrependimentos,
não me arrependo de nada que me faça bem.
Sou assim mesmo.
Instintos,sentidos, sentindo o além.
Assim seja, amém.