Não seguro sorriso algum
ele sai pelos meus olhos
Não tenho medo de dizer o sim
Sem eu querer, ele sai de mim.
Não há motivos pra parar agora.
Comecei a andar entre lembranças
e perdi o caminho do futuro.
A vida passa tão rápido,
cabe em uma caixa de sapatos, cheia de retratos.
Por isso abri a porta e pulei de olhos fechados
Quero voar no tempo, sem tempo de parar.
O sol bate na minha janela
eu vou deixá-lo entrar.
O vento passa entre a minha pele
me faz arrepiar.
A chuva é música pros meus ouvidos
eu vou escutar o que o mundo tem pra mim
Tentei mudar e não consigo
eu sou mesmo assim.
Notícias da vida diária Crônicas Pensamentos de alguém que observa um espelho a todo instante, tentando reconhecer o que do outro lado há. Será que dá pra atravessar? Notinhas, detalhes, esquecimentos, lembranças, tudo o que vier, lucro, ou não... Diário? Sei não... Vou escrevendo os momentos. Assinado: EU MESMA.
segunda-feira, 26 de maio de 2008
quarta-feira, 7 de maio de 2008
CRÔNICA: MASOQUISMO SOCIAL
Consideração.
A gente deveria considerar fazer tudo o que temos vontade. Desde que não façamos mal a ninguém.
Mas, tem a tal da "consideração" que, muitas vezes nos leva a fazer coisas que fazem mal a nós mesmos.
Tipo aqueles eventinhos chatos de família, que você, por consideração, não pode faltar.
Aniversário do sobrinho do neto da tia da sua mãe. Quem?
Às vezes, um simples convite que a consideração não te deixa negar.
Chá de bebê da prima de 3o grau do namorado.
Chá de panela da filha do sócio do seu pai.
Enfim, eventos medonhos que, enquanto você sorri automaticamente e responde "sim, claro" sua garganta está gritando "claro que eu vou, você não me deu escolha, eu vou dar de presente uma pinça pra sua sobrinha fazer o bigode".
Até que ponto devemos passar por cima das nossas vontades pra agradar os outros?
É claro que é muito bom quando fazemos o outro feliz. É um ato de desapego. Mas tudo tem limite.
Temos que ter coragem de dizer não pra consideração, quando esta nos causa desespero de estar em certa situação.
A verdade dói, mas a mentira dói mais na gente.
Então, se tiver que mentir pra você mesmo, para ir a algum evento chato, é melhor mentir pra quem te convida.
Calma, falando assim soa até desonesto. Mas é uma "mentirinha-caridosa" , quando você mente para não machucar a outra pessoa. Tipo assim:
"Vamos ao enterro do tio-avô da mulher do meu irmão"? Ao invés de você falar "Coméquié? Eu não o conheci vivo, pra que conhecer ele morto?" Você simplesmente responde "Eu gostaria muito de estar lá nesse momento pra consolar a família da mulher do seu irmão, mas tenho que levar a vovó no médico, já está marcado há meses".
Pronto, ninguém saiu ferido, a não ser a sua avó que ficou com a orelha pegando fogo.
Isso é uma dica, claro, mas eu, na maioria das vezes opto pelo: "Eu não conheci ele vivo..."
Depende do receptor da mensagem, claro. Pra dizer certas coisas, temos que ter amizade e intimidade, senão vira pancadaria moral.
Temos que ser solidários, com os outros e conosco. E maneirar na sinceridade, assim como não nos martirizar com compromissos torturantes que, muitas vezes nem surtem efeito. Só você está se importando. Às vezes, você é o único que se lembra de ter ido a uma festa inesquecivelmente chata. O noivo estava tão bêbado que te confundiu com a Tia Cotinha e te lascou um apertão no bumbum.
Concluindo, o nosso tempo é extremamente precioso e devemos, por isso, ser sinceros com nossas vontades e, na medida do possível, com os outros.
Caridade emocional tem seu lugar e faz muito bem pra alma. Altruísmo. Mas tem que ser feita com coração aberto e sem vontade de se tornar um avestruz e enfiar a cabeça no primeiro buraco. Aí não vale a pena pra ninguém.
Seja sincero, não abuse das "mentirinhas-caridosas", tenha um saco vazio e seja feliz!
A gente deveria considerar fazer tudo o que temos vontade. Desde que não façamos mal a ninguém.
Mas, tem a tal da "consideração" que, muitas vezes nos leva a fazer coisas que fazem mal a nós mesmos.
Tipo aqueles eventinhos chatos de família, que você, por consideração, não pode faltar.
Aniversário do sobrinho do neto da tia da sua mãe. Quem?
Às vezes, um simples convite que a consideração não te deixa negar.
Chá de bebê da prima de 3o grau do namorado.
Chá de panela da filha do sócio do seu pai.
Enfim, eventos medonhos que, enquanto você sorri automaticamente e responde "sim, claro" sua garganta está gritando "claro que eu vou, você não me deu escolha, eu vou dar de presente uma pinça pra sua sobrinha fazer o bigode".
Até que ponto devemos passar por cima das nossas vontades pra agradar os outros?
É claro que é muito bom quando fazemos o outro feliz. É um ato de desapego. Mas tudo tem limite.
Temos que ter coragem de dizer não pra consideração, quando esta nos causa desespero de estar em certa situação.
A verdade dói, mas a mentira dói mais na gente.
Então, se tiver que mentir pra você mesmo, para ir a algum evento chato, é melhor mentir pra quem te convida.
Calma, falando assim soa até desonesto. Mas é uma "mentirinha-caridosa" , quando você mente para não machucar a outra pessoa. Tipo assim:
"Vamos ao enterro do tio-avô da mulher do meu irmão"? Ao invés de você falar "Coméquié? Eu não o conheci vivo, pra que conhecer ele morto?" Você simplesmente responde "Eu gostaria muito de estar lá nesse momento pra consolar a família da mulher do seu irmão, mas tenho que levar a vovó no médico, já está marcado há meses".
Pronto, ninguém saiu ferido, a não ser a sua avó que ficou com a orelha pegando fogo.
Isso é uma dica, claro, mas eu, na maioria das vezes opto pelo: "Eu não conheci ele vivo..."
Depende do receptor da mensagem, claro. Pra dizer certas coisas, temos que ter amizade e intimidade, senão vira pancadaria moral.
Temos que ser solidários, com os outros e conosco. E maneirar na sinceridade, assim como não nos martirizar com compromissos torturantes que, muitas vezes nem surtem efeito. Só você está se importando. Às vezes, você é o único que se lembra de ter ido a uma festa inesquecivelmente chata. O noivo estava tão bêbado que te confundiu com a Tia Cotinha e te lascou um apertão no bumbum.
Concluindo, o nosso tempo é extremamente precioso e devemos, por isso, ser sinceros com nossas vontades e, na medida do possível, com os outros.
Caridade emocional tem seu lugar e faz muito bem pra alma. Altruísmo. Mas tem que ser feita com coração aberto e sem vontade de se tornar um avestruz e enfiar a cabeça no primeiro buraco. Aí não vale a pena pra ninguém.
Seja sincero, não abuse das "mentirinhas-caridosas", tenha um saco vazio e seja feliz!
segunda-feira, 5 de maio de 2008
LABIRINTO MENTAL
Algo que pulsa e incomoda, em algum lugar aqui dentro.
Quer sair, mas não encontra um jeito
Chega a despontar, mas volta correndo
Tem medo, tem raiva, tem anseio.
Tem arrependimento.
Nada pior pra liberdade, do que estar dentro.
Bola, circulo, redondo, ciclo, tpm.
Parece que se repete, quando acha que entende.
Tensão em um ponto em comum.
Fala, não fala, guarda pra mim.
Um instante, tudo passa na cabeça
Mas lá fora, não há nada que aconteça.
Inspira, respira, conta até dez.
Solta, não solta.
Pula de uma vez.
Tá na beirada, falo.
Guardo, quando vejo, explodo.
O mundo de pernas pro ar.
Uma fala atrasada.
Um ciclo.
Espero de novo.
Quer sair, mas não encontra um jeito
Chega a despontar, mas volta correndo
Tem medo, tem raiva, tem anseio.
Tem arrependimento.
Nada pior pra liberdade, do que estar dentro.
Bola, circulo, redondo, ciclo, tpm.
Parece que se repete, quando acha que entende.
Tensão em um ponto em comum.
Fala, não fala, guarda pra mim.
Um instante, tudo passa na cabeça
Mas lá fora, não há nada que aconteça.
Inspira, respira, conta até dez.
Solta, não solta.
Pula de uma vez.
Tá na beirada, falo.
Guardo, quando vejo, explodo.
O mundo de pernas pro ar.
Uma fala atrasada.
Um ciclo.
Espero de novo.
quarta-feira, 30 de abril de 2008
CRÔNICA: La Belle de Jou,vas te faire encule!! (Com o perdão da palavra e do som)
Estava eu ontem, acomodada perfeitamente nos braços de Morfeu, quando uma música invadiu meu sonho que, até então estava indo muito bem. Era um forró que eu adoro (ou adorava). “La Belle de Jou".
No meu sonho eu estava em SP, fechando um grande negócio, cercada de gente bacana, quando de repente me transportei pra Dunas de Itaúnas, terra do forró, cheia de nativos (nada contra, porque são os que dançam melhor mesmo). Fiquei alguns segundos admirando a nova situação, a praia ao fundo, a catuaba na minha mão, começando a gostar, quando percebi que estava de salto alto, saia e toda emperiquitada, como se tivesse saído de uma reunião...em SP. Puts! Que coisa era aquela. Era igual a sonhar que você chega na aula de pijama, sem querer e fica todo mundo rindo de você.
Aí comecei a perceber que tinha alguma coisa de errado. A Música foi ficando mais forte,mais forte,até que percebi que a "De Jou" estava vindo da "réalité". De uma realidade extremamente barulhenta. Da Praça do Papa, minha vizinha mais ilustre.
Pronto, acordei.
Por um momento, ainda sonolenta, xinguei a minha irmã, coitada, achando que a música estava vindo do quarto dela. Não, era da Praça do Papa mesmo!
Mas o som, quando vem daquela praça, propaga de tal maneira! Parece que bate na Serra do Curral e vem direto na minha cachola atazanar as minhas noites de sono e trazer a insônia de presente.
Mas aquele carro que tocava essa música não era um carro! Era um carro fantasiado de Trio Elétrico, com 1000000000 wats de som! Era um absurdo! Até o Aécio, senão o próprio Papa, lá do Vaticano já devia estar acordado amaldiçoando (perdão Papa) o idiota que tocava aquela música, que de "Bella", não tinha mais nada, naquela altura (literalmente).
Pronto, lá vinha a insônia. Tentei ignorar, quando a minha irmã invadiu o meu quarto, parecendo um fantasma enrolado num edredom, reclamando da música. Pronto, com o susto daquela visão do além de travesseiro na mão, aí que eu nunca mais ia pegar no sono.
Liguei pra policia duas vezes, e nada. A gente já estava tendo pensamentos psicopatas, dignos da hora. A prisão era pouca coisa pra esse indivíduo sem noção. Bombas imaginárias saíam da minha varanda bem em cima daquele trio elétrico que achava estar em Salvador.
Desistimos, cada uma foi para o seu quarto, esperando a morte de “La Belle de Jou", que já tocava pela décima vez.
Aí é que eu tive a idéia de brincar do "Jogo do Contente" que aprendi com o livro da Pollyana (ELEANOR H. PORTER).
Poxa, aquilo devia ser uma serenata e eu nem estava tendo a boa vontade de ter um pouco de paciência pelos amantes.
Comecei a imaginar uma vizinha sonolenta em sua varanda, a ouvir a música de amor que a faz lembrar de seu amado. Ela estava encantada com aquele ato de romantismo a se propagar sem pudor pela Praça do Papa. Ela chegaria a sua janela, atenderia seu celular e conversaria com o amado ao som de "La Belle de Jou".
Em meio a esse pensamento romântico e altruísta, adormeci novamente.
É incrível o poder que a nossa mente tem de modificar as coisas externas. De mudar nosso entendimento das situações e, automaticamente, nossos sentimentos.
Tudo pode ser a "Bella", ou a "bête" (fera), dependendo da maneira que enxergamos os acontecimentos.
Lindo isso. Incrível.
O difícil é ignorar quando o mesmo pseudo-trio-elétrico para na Praça e liga a Dança do Créu a toda altura, às 4:30 da manhã. Isso acontece pelo menos uma vez por semana.
Aí, não há poder da mente que aguente, transformar o Créu em uma serenata romântica. Até mesmo porque ele tá mais pra uma ameaça terrorista.
Porque se for romântica, aí dessa vizinha! Eu descubro onde ela mora e contrato a Bartucada pra tocar embaixo da janela dela, todos os dias. Eu peço uma interveção Papal, eu monto um partido só pra fazer um acordo com o Aécio. Eu vou pessoalmente ao próximo posto policial, entro em uma viatura e persigo, eu mesma esse Filho da P... que acha que a Praça do Papa é o baile Funk mais badalado de Belo Horizonte.
Bem, no mais, altruísmo a parte, "La Belle de Jou" que não toque perto de mim tão cedo.
No meu sonho eu estava em SP, fechando um grande negócio, cercada de gente bacana, quando de repente me transportei pra Dunas de Itaúnas, terra do forró, cheia de nativos (nada contra, porque são os que dançam melhor mesmo). Fiquei alguns segundos admirando a nova situação, a praia ao fundo, a catuaba na minha mão, começando a gostar, quando percebi que estava de salto alto, saia e toda emperiquitada, como se tivesse saído de uma reunião...em SP. Puts! Que coisa era aquela. Era igual a sonhar que você chega na aula de pijama, sem querer e fica todo mundo rindo de você.
Aí comecei a perceber que tinha alguma coisa de errado. A Música foi ficando mais forte,mais forte,até que percebi que a "De Jou" estava vindo da "réalité". De uma realidade extremamente barulhenta. Da Praça do Papa, minha vizinha mais ilustre.
Pronto, acordei.
Por um momento, ainda sonolenta, xinguei a minha irmã, coitada, achando que a música estava vindo do quarto dela. Não, era da Praça do Papa mesmo!
Mas o som, quando vem daquela praça, propaga de tal maneira! Parece que bate na Serra do Curral e vem direto na minha cachola atazanar as minhas noites de sono e trazer a insônia de presente.
Mas aquele carro que tocava essa música não era um carro! Era um carro fantasiado de Trio Elétrico, com 1000000000 wats de som! Era um absurdo! Até o Aécio, senão o próprio Papa, lá do Vaticano já devia estar acordado amaldiçoando (perdão Papa) o idiota que tocava aquela música, que de "Bella", não tinha mais nada, naquela altura (literalmente).
Pronto, lá vinha a insônia. Tentei ignorar, quando a minha irmã invadiu o meu quarto, parecendo um fantasma enrolado num edredom, reclamando da música. Pronto, com o susto daquela visão do além de travesseiro na mão, aí que eu nunca mais ia pegar no sono.
Liguei pra policia duas vezes, e nada. A gente já estava tendo pensamentos psicopatas, dignos da hora. A prisão era pouca coisa pra esse indivíduo sem noção. Bombas imaginárias saíam da minha varanda bem em cima daquele trio elétrico que achava estar em Salvador.
Desistimos, cada uma foi para o seu quarto, esperando a morte de “La Belle de Jou", que já tocava pela décima vez.
Aí é que eu tive a idéia de brincar do "Jogo do Contente" que aprendi com o livro da Pollyana (ELEANOR H. PORTER).
Poxa, aquilo devia ser uma serenata e eu nem estava tendo a boa vontade de ter um pouco de paciência pelos amantes.
Comecei a imaginar uma vizinha sonolenta em sua varanda, a ouvir a música de amor que a faz lembrar de seu amado. Ela estava encantada com aquele ato de romantismo a se propagar sem pudor pela Praça do Papa. Ela chegaria a sua janela, atenderia seu celular e conversaria com o amado ao som de "La Belle de Jou".
Em meio a esse pensamento romântico e altruísta, adormeci novamente.
É incrível o poder que a nossa mente tem de modificar as coisas externas. De mudar nosso entendimento das situações e, automaticamente, nossos sentimentos.
Tudo pode ser a "Bella", ou a "bête" (fera), dependendo da maneira que enxergamos os acontecimentos.
Lindo isso. Incrível.
O difícil é ignorar quando o mesmo pseudo-trio-elétrico para na Praça e liga a Dança do Créu a toda altura, às 4:30 da manhã. Isso acontece pelo menos uma vez por semana.
Aí, não há poder da mente que aguente, transformar o Créu em uma serenata romântica. Até mesmo porque ele tá mais pra uma ameaça terrorista.
Porque se for romântica, aí dessa vizinha! Eu descubro onde ela mora e contrato a Bartucada pra tocar embaixo da janela dela, todos os dias. Eu peço uma interveção Papal, eu monto um partido só pra fazer um acordo com o Aécio. Eu vou pessoalmente ao próximo posto policial, entro em uma viatura e persigo, eu mesma esse Filho da P... que acha que a Praça do Papa é o baile Funk mais badalado de Belo Horizonte.
Bem, no mais, altruísmo a parte, "La Belle de Jou" que não toque perto de mim tão cedo.
segunda-feira, 28 de abril de 2008
CRÔNICA DE CARNAVAL, ATRASADA.
Ih, choveu, amizade encolheu.
Nada como uma chuvinha do final da noite de domingo, você aconchegado na sua sala, coberto por edredons, em meio à pipoca e outras guloseimas Você pode estar sozinho, vendo aquele filme pela terceira vez, que a chuvinha te acomoda com promessas de um final feliz.
Mas, nessa época chuvosa em todo Brasil e principalmente aonde estou, na minha cidade Belo Horizonte, vejo a necessidade urgente de alguém avisar São Pedro que é verão. Não, pior, que é carnaval! Eu que ia para as praias capixabas, cancelei a viagem sem nova esperança de outro lugar que não seja o nordeste. E considerando o preço das passagens aéreas, já estou jogando minhas serpentinas pelo ralo. Literalmente. A vida parece se adaptar a um tempo denso, incerto, a mercê das gotas de chuva, que espantam os confetes e os planos do feriado.
Os ônibus cheiram a guarda-chuva embrulhado em sacola plástica com um leve toque de meia molhada. Afinal, os pedestres sabem o que estou falando, não há guarda chuva que proteja os pés.
Mesmo quem tem carro, não é possível que alguém saia de casa sem o guarda chuva, a não ser que vá de uma garagem para outra e não acredite em imprevistos.
A Lei de Murphi pode bem se fazer valer em um engarrafamento quando um bondoso senhor, ou senhora der aquela encostada na traseira do seu carro no meio de um temporal. Ai, meu amigo, minha amiga, vai você sair do carro, sem sombrinha, pra conversar com o infrator, numa chuvinha chata que chove, mas não molha. Não, não se pode sair sem sombrinha nesses dias. Aliás, em nenhum lugar do país, a não ser o Nordeste.
Isso me lembra um caso de chuva, da minha recente viagem a São Paulo. Descobri que esse tempo chuvoso, também é tempo de fazer e testar amizades.
Eu estava em São Paulo na semana passada. (sim,lá também chove e muito). Não dei ouvidos a minha prima, que iria me receber, quando me falou pra levar o meu guarda chuva mineiro para lá e nem ao mocinho que fica na porta do metro vendendo uma sombrinha por 5, duas por 10. Vai entender essa promoção.
Fui para a capital paulista para uma entrevista de um curso de atores e, no caminho, ainda na Augusta, conheci uma garota que também estava indo para o mesmo lugar. Uma dessas coincidências que parecem um GPS divino. Você está perdido, para pra perguntar a direção e a pessoa fala: “Me segue, também estou indo para lá”. É um encontro mágico onde todos seus anseios de “oncotô”, desaparecem como uma gota no oceano. Mas não vamos falar de gotas ainda. Foram sete quarteirões de muito papo, a luz do sol, risadas. É muito difícil eu me conectar rapidamente a amizades femininas, mas aquela garota tinha brilho. Durante esses quarteirões fizemos confidencias, planos para a noite, afinal, era sexta-feira. Trocamos telefones, compartilhamos gargalhadas quando uma jovem senhora “rebolante” tropeçou no próprio salto. Éramos melhores amigas, unidas ao acaso da Paulista, ao sol.
Chegamos ao local do curso, fizemos as entrevistas, passamos, comemoramos escandalosamente como duas amigas frenéticas e combinamos de almoçar juntas pra comemorar. E ao sairmos do local seco e coberto da entrevista, demos de cara com... A Chuva!
A famosa chuva anunciada pela minha prima e pelo mocinho do metro. Ela, como toda boa paulista que se preze, e sabe que, em São Paulo, em um mesmo dia, pode fazer calor, frio e chover, tira da bolsa um casaco e um guarda-chuva. E eu parada, olhando pra chuva, sentindo o “eu te avisei” da minha querida prima e do mocinho do metro atrás de mim, escuto a pergunta: “cadê seu guarda chuva”? Respondo: “Não tenho, mas a gente pode dividir o seu até a Paulista, lá eu compro”. Que inocência cega a minha.
Bem, pra resumir, nossa amizade linda terminou ali. Minha ex-melhor nova amiga me deu um olhar de recriminação, como quem diz “não posso ser amiga de uma pessoa que não tenha um guarda-chuva, em São Paulo, nessa época do ano e ainda queira dividir o meu guarda-chuva e arriscar molhar a minha escova de final de semana”. E lá foi ela, com um “desculpa”, mais na boca que nos olhos, balançando sua sombrinha florida.
E eu, pasma, chocada pelo fim de uma amizade tão bonita, por causa de um guarda-chuva, agradeci por termos ficado em horários diferentes no curso. Aquela ingrata. Fiquei a olhar a chuva cair, por duas horas e meia, e ainda peguei uns respingos enquanto subia os sete quarteirões até a paulista para comprar o guarda-chuva de cinco reais do mocinho do metro. E o melhor, ao me vender, o simpático vendedor soltou um: “Eu te avisei”.
Moral da história:
Uma amizade verdadeira não divide com você apenas o brilho do Sol, mas sim, o guarda-chuva na hora da chuva.
Moral da história 2: Nunca vá pra São Paulo sem uma bolsa grande onde caibam um casaco, uma sombrinha e uma meia extra.
Moral 3: sempre de ouvidos ao mocinho do metro e aos anfitriões de sua hospedagem em locais novos.
Nada como uma chuvinha do final da noite de domingo, você aconchegado na sua sala, coberto por edredons, em meio à pipoca e outras guloseimas Você pode estar sozinho, vendo aquele filme pela terceira vez, que a chuvinha te acomoda com promessas de um final feliz.
Mas, nessa época chuvosa em todo Brasil e principalmente aonde estou, na minha cidade Belo Horizonte, vejo a necessidade urgente de alguém avisar São Pedro que é verão. Não, pior, que é carnaval! Eu que ia para as praias capixabas, cancelei a viagem sem nova esperança de outro lugar que não seja o nordeste. E considerando o preço das passagens aéreas, já estou jogando minhas serpentinas pelo ralo. Literalmente. A vida parece se adaptar a um tempo denso, incerto, a mercê das gotas de chuva, que espantam os confetes e os planos do feriado.
Os ônibus cheiram a guarda-chuva embrulhado em sacola plástica com um leve toque de meia molhada. Afinal, os pedestres sabem o que estou falando, não há guarda chuva que proteja os pés.
Mesmo quem tem carro, não é possível que alguém saia de casa sem o guarda chuva, a não ser que vá de uma garagem para outra e não acredite em imprevistos.
A Lei de Murphi pode bem se fazer valer em um engarrafamento quando um bondoso senhor, ou senhora der aquela encostada na traseira do seu carro no meio de um temporal. Ai, meu amigo, minha amiga, vai você sair do carro, sem sombrinha, pra conversar com o infrator, numa chuvinha chata que chove, mas não molha. Não, não se pode sair sem sombrinha nesses dias. Aliás, em nenhum lugar do país, a não ser o Nordeste.
Isso me lembra um caso de chuva, da minha recente viagem a São Paulo. Descobri que esse tempo chuvoso, também é tempo de fazer e testar amizades.
Eu estava em São Paulo na semana passada. (sim,lá também chove e muito). Não dei ouvidos a minha prima, que iria me receber, quando me falou pra levar o meu guarda chuva mineiro para lá e nem ao mocinho que fica na porta do metro vendendo uma sombrinha por 5, duas por 10. Vai entender essa promoção.
Fui para a capital paulista para uma entrevista de um curso de atores e, no caminho, ainda na Augusta, conheci uma garota que também estava indo para o mesmo lugar. Uma dessas coincidências que parecem um GPS divino. Você está perdido, para pra perguntar a direção e a pessoa fala: “Me segue, também estou indo para lá”. É um encontro mágico onde todos seus anseios de “oncotô”, desaparecem como uma gota no oceano. Mas não vamos falar de gotas ainda. Foram sete quarteirões de muito papo, a luz do sol, risadas. É muito difícil eu me conectar rapidamente a amizades femininas, mas aquela garota tinha brilho. Durante esses quarteirões fizemos confidencias, planos para a noite, afinal, era sexta-feira. Trocamos telefones, compartilhamos gargalhadas quando uma jovem senhora “rebolante” tropeçou no próprio salto. Éramos melhores amigas, unidas ao acaso da Paulista, ao sol.
Chegamos ao local do curso, fizemos as entrevistas, passamos, comemoramos escandalosamente como duas amigas frenéticas e combinamos de almoçar juntas pra comemorar. E ao sairmos do local seco e coberto da entrevista, demos de cara com... A Chuva!
A famosa chuva anunciada pela minha prima e pelo mocinho do metro. Ela, como toda boa paulista que se preze, e sabe que, em São Paulo, em um mesmo dia, pode fazer calor, frio e chover, tira da bolsa um casaco e um guarda-chuva. E eu parada, olhando pra chuva, sentindo o “eu te avisei” da minha querida prima e do mocinho do metro atrás de mim, escuto a pergunta: “cadê seu guarda chuva”? Respondo: “Não tenho, mas a gente pode dividir o seu até a Paulista, lá eu compro”. Que inocência cega a minha.
Bem, pra resumir, nossa amizade linda terminou ali. Minha ex-melhor nova amiga me deu um olhar de recriminação, como quem diz “não posso ser amiga de uma pessoa que não tenha um guarda-chuva, em São Paulo, nessa época do ano e ainda queira dividir o meu guarda-chuva e arriscar molhar a minha escova de final de semana”. E lá foi ela, com um “desculpa”, mais na boca que nos olhos, balançando sua sombrinha florida.
E eu, pasma, chocada pelo fim de uma amizade tão bonita, por causa de um guarda-chuva, agradeci por termos ficado em horários diferentes no curso. Aquela ingrata. Fiquei a olhar a chuva cair, por duas horas e meia, e ainda peguei uns respingos enquanto subia os sete quarteirões até a paulista para comprar o guarda-chuva de cinco reais do mocinho do metro. E o melhor, ao me vender, o simpático vendedor soltou um: “Eu te avisei”.
Moral da história:
Uma amizade verdadeira não divide com você apenas o brilho do Sol, mas sim, o guarda-chuva na hora da chuva.
Moral da história 2: Nunca vá pra São Paulo sem uma bolsa grande onde caibam um casaco, uma sombrinha e uma meia extra.
Moral 3: sempre de ouvidos ao mocinho do metro e aos anfitriões de sua hospedagem em locais novos.
Assinar:
Postagens (Atom)